Em agosto de 2026, o governo anunciou que a fila do INSS foi zerada: o número de novos pedidos passou a ser menor que o de atendimentos. O tempo médio para decidir a perícia caiu para 34 dias, dentro do prazo legal de 45 — mas 224 mil pessoas ainda aguardam resultado além desse prazo.

O anúncio foi feito pelo ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz, em 3 de setembro de 2026. Segundo o governo, em fevereiro havia 3,12 milhões de pessoas na fila; em julho, esse número já tinha caído para 1,547 milhão. Hoje o INSS recebe cerca de 1,3 milhão de pedidos por mês — em torno de 43 mil por dia.

O que mudou na prática

Três fatores explicam a redução: mutirões de perícia aos fins de semana, telemedicina em 865 agências (com cerca de 2 milhões de atendimentos a mais em 2026) e a ampliação da perícia documental — modalidade em que o segurado envia atestados e exames pelo Meu INSS, sem precisar comparecer presencialmente, para benefícios em que isso é possível.

Mesmo com a fila “zerada” no agregado, o governo reconhece que 224 mil segurados seguem esperando resposta por mais de 45 dias — concentrados, segundo o anúncio, em casos mais complexos, como BPC/LOAS e aposentadorias.

O que isso significa para quem está esperando

Se o seu pedido está parado há mais de 45 dias, o prazo legal já foi descumprido — e isso abre caminho para cobrar o INSS administrativamente ou, se necessário, judicialmente, inclusive por mandado de segurança em casos de demora injustificada.

Vale conferir no Meu INSS se o seu caso é elegível para perícia documental: enviar os documentos corretos, completos e legíveis reduz a chance de a análise travar por pendência — um dos motivos mais comuns de atraso que não aparece nas estatísticas de “fila”.

O erro que faz perder tempo (e, às vezes, o direito)

O erro mais comum é deixar pendências sem resposta: quando o INSS pede um documento complementar e o prazo para enviar passa, o pedido pode ser arquivado, obrigando o segurado a começar tudo de novo. Outro erro é não guardar comprovante de protocolo e de cada exigência cumprida — sem isso, fica difícil provar a demora para fins de recurso ou ação judicial.

Benefício por incapacidade negado ou atrasado também costuma esconder um problema de fundo: laudo médico incompleto, que não detalha a limitação e o tempo provável de afastamento. Isso é o que mais derruba pedidos na perícia.

O que fazer agora

O que reunir antes de procurar orientação: número do protocolo (NB), extrato do CNIS, laudos e exames atualizados com data e CID, histórico de pedidos e exigências já cumpridas, e print ou carta do INSS informando prazo ou pendência.

O caminho certo — aguardar, pedir perícia documental, recorrer administrativamente ou entrar na Justiça — depende do tipo de benefício e do tempo de espera, que varia de caso a caso. Se o seu pedido está atrasado ou foi negado, procure um advogado de sua confiança para avaliar o que se aplica à sua situação.

Roldão, Melo & Godoy Advogados — OAB/PE 36.209. Conteúdo informativo, nos termos do Provimento 205/2021 do CFOAB.

Fontes

Escrito por Reginaldo Roldão, advogado, OAB/PE 36.209 — RMBG Advogados (Roldão, Melo & Godoy), Recife e Garanhuns/PE.